Morador de Planaltina-GO fica preso injustamente por quase um mês na papuda | RP

Mauro de Andrade foi detido pela Polícia Civil por suspeita de furto em loja. Justiça decidiu que não há indícios que relacionem técnico em segurança eletrônica ao crime; governo foi condenado a pagar indenização.

Um homem ficou quase um mês preso no Complexo da Papuda, no Distrito Federal, até ser inocentado pela Justiça, que apontou falhas na investigação policial. Mauro de Andrade é técnico em segurança eletrônica e foi detido por suspeita de furto em uma loja, crime que ele diz não ter cometido.

Foram os piores dias da minha vida. Nunca pensei em passar por isso”, conta. “Eu pensava: ‘Meu Deus, será que eu vou ficar aqui? Não vou encontrar minha família. Não vou sair mais.”’

Mauro foi preso no ano passado. Neste mês, após recurso da defesa, a Justiça o inocentou. Na decisão, o juiz Daniel Carnacchioni entendeu que o inquérito policial não tem indícios que relacionem o técnico ao crime, e condenou o governo do DF a pagar indenização de R$ 40 mil.

Questionado pela reportagem, o GDF não respondeu se vai recorrer da decisão. Já a Polícia Civil disse que a prisão de Mauro foi baseada em critérios técnicos, que os elementos da investigação foram encaminhados para análise do Ministério Público, e que o juiz recebeu a denúncia contra ele.

Entre 21 de abril e 11 de maio de 2021, Mauro ficou preso na Papuda, após ser apontado como culpado de um furto em uma loja de Taguatinga.

Não tem como a gente usar luva porque é um sistema, tem que fazer a manutenção. Tem uns fiozinhos pequenos que a gente tem que conectar. Como fazer isso com luva? Por isso, a digital ficou”, conta.

Foram meses de investigação até que a Polícia Civil concluiu que Mauro tinha envolvimento no furto. E, em abril do ano passado, ele foi surpreendido em casa com um mandado de prisão preventiva.

Chegaram lá em casa tentando arrombar. Eu sai pra abrir o portão, e só vi aquele tanto de arma apontada pra mim”, lembra.

O técnico de segurança conta que os policiais gritavam para que ele não corresse. “Não sabia o que era, não sabia de nada.”

Mauro atua na área há 20 anos e não tinha antecedentes criminais. A dona da loja furtada testemunhou a favor dele e até os próprios criminosos, presos no mesmo dia, disseram não conhecê-lo. Segundo o advogado do técnico de segurança, Adriano Alves da Costa, a polícia ignorou essas informações.

Mauro é casado e mora com os filhos, a mãe e a esposa em Planaltina Goiás, no Entorno do DF. O caso mexeu com a família toda. A mãe pegou um empréstimo para pagar o advogado. Ela diz que não teve paz enquanto o filho estava na prisão.

Hoje, Mauro continua trabalhando na mesma empresa em que atuava quando foi preso. No entanto, perdeu muitos clientes. Para o técnico, a condenação de pagamento de indenização pelo GDF é bem-vinda, mas não repara o que aconteceu.

Eu não comia, não sentia vontade de comer. Minha mãe nem me reconheceu de tão magro que eu tava”, lembra. “À noite, eu acordo, de vez em quando, assustado com isso. Nunca vou esquecer.”

Reportagem do G1 DF

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