Lixo acumulado, poluição e abandono no parque ecológico.

Moradores afirmam que a causa do dano ambiental é a obra para instalação da rede de esgoto na cidade, iniciada no fim do ano passado pela Prefeitura Municipal.

A denúncia aponta ainda que a rede de água pluvial deságua sem nenhum tratamento no canal da nascente do Rio Maranhão, localizada dentro do parque, poluindo a principal fonte de água, responsável por abastecer a cidade e as chácaras ao redor. 


“As máquinas derrubaram tudo, deixando toda a sujeira para trás. Destruíram a vegetação e instalaram as caixas de esgoto dentro do parque sem o menor cuidado com o que poderia acontecer. As árvores que protegiam a nascente foram arrancadas. Dá dó de ver”, afirma o estudante Leonardo Marçal, 21 anos.


Lazer:

Apesar do descuido e da sujeira, o parque é uma das poucas áreas de lazer da cidade. O local é utilizado pela população para a realização de atividades ao ar livre, lazer prática de esportes. Entretanto, os moradores afirmam não saber até quando será possível acessar o local.


“Antes, pegávamos água direto da nascente para levar para casa. Com essa poluição, não temos condição alguma de realizar essa tarefa. Sem contar que, se não tomarem providências, daqui há alguns dias ninguém consegue transitar no parque por conta do excesso de lixo e do mau cheiro”, ressalta Marcilda Soares, moradora da cidade há 30 anos.


Versão oficial:

Procurado pelo Jornal para responder aos questionamentos, o administrador do parque, Thiago Rodrigues Fernandes, conhecido na região pelo apelido de Thiaguinho, se limitou a dizer que a responsabilidade da obra é da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A responsável pela pasta, Maria do Rosário Dias R. de Freitas, informou que, em março deste ano, solicitou vistorias para monitorar o processo e, ficou constatado que “a travessia de rede coletora de esgoto, apesar de envelopada por tubulação de ferro fundido, seria remanejada e fixada em uma estrutura de contenção existente, localizada nas proximidades”. Ainda segundo a secretária, após vistoria da prefeitura, verificou-se que a obra está de acordo com o projeto aprovado pelos órgãos responsáveis pelo estado de Goiás.


Em nota, a secretaria registrou também que “a limpeza e a conservação do Parque Ecológico e adjacências são de responsabilidade da Secretaria Municipal de Urbanismo, através do Departamento de Parques e Jardins, sob a responsabilidade do administrador, cabendo à Secretaria do Meio Ambiente a fiscalização das nascentes”.


Poluição e falta de vigilância na área


No cenário atual do parque estão incluídos embalagens plásticas, garrafas PET e vários outros objetos espalhados, além do mato alto. A falta de vigilância também é uma preocupação da comunidade.


“Tenho costume de vir ao parque. Há duas semanas estive aqui por duas vezes, cheguei pela manhã e saí próximo ao almoço, e não tinha um vigilante. O local, além de estar aberto por conta das cercas que foram derrubadas durante as obras, fica sem nenhuma segurança”, ressaltou Marcilda Soares.


A dona de casa informou que tentou contato com a administração do parque e com a prefeitura algumas vezes, mas, segundo ela, as respostas recebidas sempre foram de descaso.


“Questionei diversas vezes sobre o que acontecia. Uma vez, fizeram uma limpeza em que cortaram a vegetação crescida e jogaram dentro do canal. Na verdade, só juntou com a sujeira que estava acumulada. O posicionamento deles comigo sempre foi de ignorar o assunto”, desabafa.


Fonte: Jornal de Brasília.

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